Um cara difícil


"Ele vai ser romântico e muito bruto. Ele vai ser generoso e muito casca-grossa. Ele vai dizer a verdade, e mentir às vezes. Ele vai fazê-la se sentir eleita entre todas, depois vai dar mole pra muitas. Ele vai implicar com as mínimas coisas, e com as grandes também. Ele vai exibir qualidades que você nem sabia que um homem poderia ter, e em troca, vai abusar de todos os defeitos que você sabia que todo homem tem. Ele vai ser ótimo na cama. Vai ser um perigo dirigindo um carro. Vai ser gentil com sua mãe. Vai ser um brucutu com a mãe dele. Ele mudará de humor a cada vinte minutos; ele vai brigar por nada; vai beijá-la demoradamente por horas e, com essa bipolaridade bem ou mal disfarçada, ele a deixará tão tonta e exausta que você pensará que foi atropelada por um trem descarrilhado. “Quem sou eu?” será sua primeira pergunta ao acordar sobre os trilhos."
E ele vai ser o amor da sua vida...


Dreamland



There's a land that I have heard about
So far across the sea
To have you all, my dreamland
Would be like heaven to me
We'll take a ride on the waterfalls
And all the glories, we'll have them all
And we'll live together on that dreamland
And have so much fun
Oh, what a time that will be
Oh yes, we'll wait, wait, wait and see
We'll count the stars up in the sky
And surely we´ll never die...

Robert Nesta Marley


Foi um ano realmente intenso da minha vida! Ahhh 2008! Muita festa... muita conversa...muito filme (não necessariamente filme) e uma cumplicidade sem fim!
Uma era compenetrada, a mais doce; tinha uma que era contagiante, alegre sempre; a outra intensa e poeta... e eu? Eu era a louca! Louca pela vida... pelo mundo e principalmente por elas! Lógico que haviam outras pessoas ao redor , mas a gente se bastava...
Tínhamos vidas totalmente diferentes e tínhamos nosso mundo, onde éramos todas iguais.
Um dia cada uma tomou seu rumo... cada uma seguiu sua vida. 
Às vezes ainda nos encontramos... lá no nosso mundo de segredos e lembranças, onde tudo é tão abstrato!
E quando me perguntam o que sobrou? Ahh..sei lá! Acho que sobrou a saudade, IMENSA de tudo que passou! Porque NUNCA mais vai ser a mesma coisa.


Sobre Amizade


É estranho como a gente se sente perdido no mundo algumas vezes, como se tudo estivesse vazio, tudo mesmo e só você lá no meio... flutuando (não necessariamente no escuro).
Estou numa fase meio introspectiva, penso que é aí que o perigo anda me rondando...
Quando se é uma pessoa acostumada a uma vida agitada e de repente você se vê forçada a dar uma freiada, você já pensa logo que está só. Mas acho que esse papo de solidão na verdade é só a paz, vindo de mansinho. Paz sim, e eu desaprendi o que é isso. Um tipo de paz que gente como eu não quer, uma paz meio sem graça, onde você ganha tempo pra colocar suas idéias no lugar, tempo pra ficar deitada fazendo nada, pensando no próximo pensamento... (risos). Será que é isso mesmo? É isso sim! E então você começa logo a pensar e criar coisas que, talvez, não existam.
Tenho lido muito nesses dias, leio de tudo pra tentar habitar essa minha estranha paz antes que ela vire realmente solidão. E dia desses eu li uma reportagem, dessas revistas de “gente inteligente”, que falava que ninguém consegue viver sem amigos. Mas que nosso cérebro só comporta 150 amigos e divididos em grupos, sendo que esses 150 são pessoas que a você “liga o nome à pessoa” imediatamente quando ouve. 50 são pessoas que você convive na vida, mas somente 15 são amigos bem importantes pra você, que se um deles morresse hoje você ficaria muito, muito triste. E finalmente, desses 15, apenas 5, isso mesmo, 5 são seus amigos íntimos, amigos que você não hesitaria em ligar às 3 da manhã pra chorar suas mágoas.
Acho isso tudo um pouco verdade. Pensa bem! Eu acredito que a reportagem tenha citado esses 5 amigos como sendo amizades recíprocas, ou seja, a gente tem muito “amigo” importante demais pra gente que nem nos considera amigos deles, ou não dão a mesma importância que a gente. Você quer exemplo? Então vai aí... Já me aconteceram situações horrorosas em que precisei muito desses meus 5 “amigos” e eles vieram me ajudar? Claro que não... o socorro veio de onde eu nem esperava, de um amigo que eu pensava estar entre os 50...(risos de novo). Mas na hora que esses meus 5 “amigos” precisavam de mim eu sempre estava lá pra ajudar a resolver qualquer problema, como se fosse um problema meu.
Então, já que é pra gente ter 5 melhores amigos eu os tenho agora, acho que os tenho. Mas acredito também que eles mudam de “lugar” ao longo de nossas vidas dependendo de nosso estágio de mente ou da afinidade e dos interesses em comum no momento. Mas tenho que ser justa, pode até existir amizade recíproca extremamente importante pra gente, mas essas são no máximo duas que vão estar sempre lá, no mesmo lugar. Mas você me pergunta, e as 5? Ah! As 5 é querer demais nos ilustres tempos de hoje.
Então, você que está lendo essa minha “teoria da amizade”, não se iluda demais! Todo mundo vai te decepcionar mais cedo ou mais tarde. Não necessariamente decepcionar, quem sabe talvez te dar uma resposta seca em um dia em que você estará carente e você entenderá isso como decepção. Mas em contrapartida você sempre vai poder correr e se esconder em alguma “estranha” paz até encontrar os seus 5 amigos novamente.

Teoria do Sorvete



“O sorvete que eu comia já falava por si só? Isso não é coisa para se pensar. Mas o pior é que é verdade. E para completar, eu nunca guardava os brinquedos no lugar e nem tomava o sorvete todo. Pronto, está aí a teoria do sorvete: Eu encho o pote, deixo tudo bem colorido, atraente, como pelas beiradas e nunca termino.”

Escrito por minha querida amiga Helena em  www.oliveirahelena.blogspot.com


Minha Avó Didi



Tenho uma avó feita de açúcar, de sonhos e de amor. Chama-se Indiana, mas virou a nossa “Vó Didi” .
Ela tem cheiro de antigas gavetas perfumadas de jasmim, de chuva na terra molhada, de bolo de fubá saído do forno, de manhãs de primavera, de banho tomado, de água limpa, de calda de chocolate.
De cabelos lisos, um pouco brancos e brilhantes, sempre arrumados. Tem um jeito de sorrir que derrete almas. E tem também um semblante tão calmo que só de estar na presença dela já ficamos em paz.                              
A Vó Didi, nossa grande e doce matriarca ama nossa família. Ela tem uma lucidez invejável, discute política e grandes títulos de livros. É culta, bem informada e moderna. Tem o dom da palavra, do conselho, de ouvir, de acolher, de entender, sem julgar. Tem o dom do amor. Também o dom da sabedoria, conquistada no alto de uma vida plena. Uma doce guerreira da vida. É a pessoa que está mais perto de Deus que eu conheço!
Essa avó é muito mais que uma avó para mim desde que me entendo por gente. É minha amiga, confidente, companheira. É meu porto seguro, meu colo, meu exemplo, minha direção e meu orgulho.
Amo ouvir as histórias de sua vida. Amo estar ao lado daquela alma de luz, que mais se parece com a calma em pessoa, mas que por dentro tem a honra, a luta, a grandeza, o caráter, a fibra como habitantes.
Ser de poesia e de flocos de algodão. Minha fada velhinha. Minha avó. Meu amor.               
E ela mora numa casa que desbanca qualquer Disney! A casa onde o purê de batatas ganha um sabor diferente, onde os ponteiros do relógio correm mais lentos, onde os ruídos são mais audíveis, onde o teto parece mais alto, onde a luz entra mais discreta atravessando as enormes janelas de vidro colorido, onde os armários escondem roupas antigas e fundos falsos, e só isso é falso, tudo mais é verdadeiro. Lá é onde, na minha infância, os brinquedos nunca surgiam prontos, eram inventados na hora, por mim e mais um monte de primos. Onde todo mundo era mais feliz e o céu era bem mais azul... Lá é onde eu encontro os restos da infância  do meu pai, algumas memórias dele. E fotos de bisavós, de tios....
A Vó Didi mora lá, no endereço do meu afeto mais profundo, onde tudo é permitido.

Luana Cunha Henriques
24 de Dezembro de 2010


 "Meus amigos são todos assim: metade loucura, outra metade santidade. Escolho-os não pela pele, mas pela pupila, que tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta. Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos, nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice. Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto, e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou, pois vendo-os loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que a normalidade é uma ilusão imbecil e estéril"

Fernando Pessoa




Perda...



Nossos pais descobrem que um ser está para nascer e trazer as suas vidas um brilho de luz. A cada sorriso, palavra, olhar ou suspiro, uma cachoeira de lágrimas parece inundar seus olhos de alegria e paz.
Nos tornamos adolescentes e a busca pela independência é cada vez mais clara. A nossa vontade de conquistar espaço nos distancia de quem sempre nos amará, esquecemos a família. Esquecemos de dizer o quanto os amamos.
E quando menos esperamos e sem nenhum aviso, Deus leva o que mais amamos.
Nossos pensamentos divulgam para cada gota de sangue em nosso corpo a culpa de nunca ter dito: "te amo"; "preciso de você", "estou sempre aqui", "me preocupo", e como se não bastasse vem a frase mais forte "a culpa foi minha". E ainda bem que dessa culpa EU não morro! Então a culpa é da vida que tem inicio, meio e fim. A nossa culpa está apenas em amar tanto e sentir tanto perder alguém.
Nossos sonhos caem por terra, nossa independência parece perder a importância. E a resposta para essa dor? O tempo e uma certeza : quando amamos transmitimos em pequenos atos e gestos, e as palavras não importam mais; quando precisamos de alguém, sentimos sua presença, e as palavras não têm mais sentido; quando nos sentimos sós e abandonados, surge uma palavra ou um gesto e descobrimos que nunca estaremos sós.
Mas o tempo é remédio e nele conquistamos o consolo, com ele pensamos nos bons momentos. E com um pouco mais de tempo, transformamos isso tudo em eternos companheiros.
Nossos sonhos ganham aliados, nossa independência ganha acompanhantes, nossa vida conquista anjos. Sim! Anjos! E no fim apenas a saudade e uma certeza: não importa onde estejam, estarão sempre conosco até nos reencontrarmos um dia.

Acalanto pra Luana




Lua, Luana fruto da flor

Da dor, da fauna do nosso amor.
Lua, Luana pingo de gente perdida
No oceano louco dessa vida.
Acontece que aconteceu
Que agora a gente se agarra
A seu pranto, a seu acalanto
E, no entanto, ela só dorme, e sonha
Com a flor do sonho,
Ou com a flor da fronha!
Lua, Luana, chore, ria
Seu olhar, sua sorte brilha na luz do dia.
Seu destino virá,
Num canto de um sabiá,
Ou numa estrela guia.
Lua, Luana um dia
No balanço, no remanso, no regaço
Ou no braço aberto,
Incerto do espaço desta vida...
Lua, Luana, Lua Luana...

30-Julho-1982
Mário Roberto Ferreira


*Nada mais justo que começar meu blog com um poema feito pra mim!