Tenho uma avó feita de açúcar, de sonhos e de amor. Chama-se Indiana, mas virou a nossa “Vó Didi” .
Ela tem cheiro de antigas gavetas perfumadas de jasmim, de chuva na terra molhada, de bolo de fubá saído do forno, de manhãs de primavera, de banho tomado, de água limpa, de calda de chocolate.
De cabelos lisos, um pouco brancos e brilhantes, sempre arrumados. Tem um jeito de sorrir que derrete almas. E tem também um semblante tão calmo que só de estar na presença dela já ficamos em paz.
A Vó Didi, nossa grande e doce matriarca ama nossa família. Ela tem uma lucidez invejável, discute política e grandes títulos de livros. É culta, bem informada e moderna. Tem o dom da palavra, do conselho, de ouvir, de acolher, de entender, sem julgar. Tem o dom do amor. Também o dom da sabedoria, conquistada no alto de uma vida plena. Uma doce guerreira da vida. É a pessoa que está mais perto de Deus que eu conheço!
Essa avó é muito mais que uma avó para mim desde que me entendo por gente. É minha amiga, confidente, companheira. É meu porto seguro, meu colo, meu exemplo, minha direção e meu orgulho.
Amo ouvir as histórias de sua vida. Amo estar ao lado daquela alma de luz, que mais se parece com a calma em pessoa, mas que por dentro tem a honra, a luta, a grandeza, o caráter, a fibra como habitantes.
Ser de poesia e de flocos de algodão. Minha fada velhinha. Minha avó. Meu amor.
E ela mora numa casa que desbanca qualquer Disney! A casa onde o purê de batatas ganha um sabor diferente, onde os ponteiros do relógio correm mais lentos, onde os ruídos são mais audíveis, onde o teto parece mais alto, onde a luz entra mais discreta atravessando as enormes janelas de vidro colorido, onde os armários escondem roupas antigas e fundos falsos, e só isso é falso, tudo mais é verdadeiro. Lá é onde, na minha infância, os brinquedos nunca surgiam prontos, eram inventados na hora, por mim e mais um monte de primos. Onde todo mundo era mais feliz e o céu era bem mais azul... Lá é onde eu encontro os restos da infância do meu pai, algumas memórias dele. E fotos de bisavós, de tios....
A Vó Didi mora lá, no endereço do meu afeto mais profundo, onde tudo é permitido.
Luana Cunha Henriques
24 de Dezembro de 2010

Ela realmente é feita de açúcar sim.. sempre doce, com uma carinha mansa, sempre carinhosa, escutando o que temos pra falar... sua avozinha, que por sorte minha, é irmã de meu pai, é uma pessoa ímpar, querida e respeitada por todos!!!
ResponderExcluir(lindo texto Luh!!)
Ahh Juh! Ela é! Mas nossa genética é boa num é mesmo amora?!!
ResponderExcluirQUE TEXTO LINDO!!Vc tem muito dela já Luana,esse jeito seu de acolher a todos...
ResponderExcluirEla é um exemplo de mulher para todas nós...ME EMOCIONEI LENDO,como é bom podermos acreditar que existe AMOR!!!
Muito lindo mesmo este texto!!!!
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